domingo, 7 de dezembro de 2025

Poesia publicada na Antologia " Encantos de Natal apresentei na AJL confraternização de Natal 2025

      


Natal

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Fraternidade

Verdadeiro Natal

Vibrando´

No halo-amor.

Símbolos

Igrejas silenciosas,

Hinos

Profecias

Advento Mistério Fé.

Súplicas

Complacências

Generosidade

Natal-oferenda.

Natal das velhas gerações

Extasiadas

Reverentes

Ao mistério cristão.

Natal

Que atravessou séculos

Integro

Transcendendo

A humana compreensão.

Natal profundo

Natal mensagem –fé

Natal-Paz Natal -Amor

 


                          

                                                   

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Vértice -coletânea com vários gêneros


 Apresento o Universo de Contos do Raine

De linguagem fluida e rítmica, em seu ofício de artesão das palavras, mantendo a qualidade pictórica de seus contos e nos brindar com as experiências das sensações de personagens anônimos no dia a dia juizforano, Fernando Raine abre a janela da sua criatividade e competência da escrita com o sabor do cotidiano que não passa despercebido. Pelo contrário, é ele a moldura para um mosaico de personagens que poderiam ser eu ou você, em espaços, ora coletivos, ora intimistas, em que o autor brinca de fotografar com palavras cada perspectiva. Ele rompe o tempo-espaço ao eternizar lugares paradoxalmente na efemeridade das experiências passageiras de cada indivíduo.

De maneira sutil, delicada, aborda o individualismo, a solidão, a liquidez dos tempos de hoje. Não é apenas uma leitura saborosa, mas uma reflexão sobre a latência de profundidade em uma dinâmica de uma realidade de laços humanos superficiais. É o coletivo disperso, conforme ele mesmo conclui:  “onde cada olhar é uma nota solitária em uma melodia urbana”. Uma leitura lúcida dos tempos de hoje, em que silêncios se prolongam, mas pensamentos se aceleram, sobrepõem, preenchem o espaço da alma com dúvidas e saudades de tempos vividos ou imaginados.

Cheiros, cores e sensações criam um fundo em que os sentidos se fundem para que o tempo seja sentido com mais intensidade. E a ambivalência do passado/presente, encontro/despedida, lembrança/esquecimento, sentimentos/indiferença, pulsação/letargia, silêncio/som, luz/sombra e doçura/amargor condensam uma atmosfera em que urge o que estamos sempre adiando: saborear a vida enquanto o relógio anda.       

Mas há esperança: na metáfora da natureza a sabedoria de fluir em movimento, direção e superação de obstáculos, de constância; e nos espaços coletivos com manifestação de afetos e de preservação de memórias. Ainda há amor para eternizar e tornar profunda nossa experiência humana!

Obrigada, Fernando, por registros tão sensíveis de nossa cidade e nossa gente em uma combinação notável de existencialismo, universalismo sem abrir mão da poética realidade que nos cerca!

         
Neuza de Oliveira Marsicano

(Escritora, professora,Membro da AJL e atleta)

sábado, 8 de novembro de 2025

Juiz de Fora: Nossa Casa Antologia Volume -6


   (…) o que me faz correr é sempre o mesmo, uma vontade de saber mais e o de deixar contado às pessoas, nos livros, sabe. Deixar nos livros aquilo que se descobre, porque um livro, com o que contém, pode ser uma fortuna eterna (…)

(Valter Hugo Mãe)   Juiz de Fora é uma cidade cujas palavras para descrever não são tão fáceis de gerenciar por tamanha emoção que me enleva a alma por ser o meu lugar no mundo. Todavia, trago aqui um retrato, um panorama, dessa cidade, de ontem e hoje, habitada por 7 gerações em média, pois são 175 anos de sua fundação. Seus habitantes deram vida a um mosaico cultural, econômico e étnico, em que se mesclam tradições preservadas a uma atmosfera de cidade em sintonia com a contemporaneidade, estabelecendo um progresso com alto desenvolvimento humano que proporciona alegria e fascínio.

Sua origem se confunde com a origem de Minas, haja vista o Ciclo do Ouro e o Caminho Novo, este, rota econômica importante de ligação entre o nosso estado e o Rio de Janeiro. Cidade de vanguarda, com sua primeira usina hidrelétrica do país e com suas antigas tecelagens, dentre outras indústrias – daí, em função dessa paisagem, lembrar, urbanisticamente, a cidade inglesa de Manchester.

É uma cidade de encher os olhos: na arquitetura religiosa e no ecletismo urbanístico e arquitetônico de sua região central, com suas galerias em estilo francês, Cine Theatro Central, os calçadões, Parque Halfeld e a imponência dos prédios mais antigos e casinhas charmosas que contam histórias! Há também a arquitetura moderna, representada majestosamente pelo Museu de Arte Murilo Mendes, bem no Centro da cidade, configurando-se como um dos museus mais influentes do mundo e o mais influente no país (segundo o evento global Museum Week 2025). E a versatilidade arquitetônica não para por aí: temos a grandiosidade contemporânea de edificações com ares futuristas, tal como da Igreja Melquita, localizada no bairro Santa Helena.

Seus bairros contam histórias antigas e atuais! E a Avenida Rio Branco é a espinha dorsal que une a todos, de ponta a ponta! E somos todos, de acordo com o Censo 2022 do IBGE, 540.756 habitantes, trazendo o título de o quarto município mais populoso do nosso imenso estado de Minas Gerais. Aqui é um lugar de inspiração e de pessoas inspiradoras, berço de grandes escritores, jornalistas, cantores e personalidades voltadas à promoção da cultura, do teatro e da música. Conservatórios, faculdade de música, grupos de teatro locais que lotam os espaços e semanas dedicadas a mostras de cinema, de curta-metragens, de incentivo a novos talentos musicais e eventos inesquecíveis no Cine Theatro Central! Como membro, não poderia deixar de citar a Academia Juiz-forana de Letras, espaço de difusão de conhecimento e de criatividade literária: é uma honra fazer parte de um coletivo de pessoas que procuram mobilizar o cotidiano da cidade através  dos cursos, dos encontros literários e das publicações de obras de grande sensibilidade e diversas perspectivas que, além de retratar o mundo e as situações da vida, também se dedicam a retratar a cidade.

O desenvolvimento integrado às necessidades de sua população e da sua região é algo imanente ao seu crescimento econômico e urbano: somos um celeiro de difusão de conhecimento, desenvolvimento, inovação, diversidade, inclusão e cultura na região. Sendo assim, grandes figuras da educação, da administração pública, dos movimentos sociais, do ramo empresarial, do turismo de negócios, da moda, da gastronomia, do esporte, da área da saúde, da arquitetura, e voltadas à excelência em prestação de serviços e na produção de conhecimento fizeram, fazem e mantêm esta cidade tão vibrante, prazerosa e um bom lugar para se viver e se desenvolver em uma integralidade do potencial humano.

Toda oportunidade de escrever sobre a cidade e contar histórias, sobre o que li, ouvi e vivenciei em minha casa - Juiz de Fora, é como um inevitável abraço em quem se ama. E saber que minhas palavras ecoam, voam livre, enquanto as mãos folheiam as páginas das obras, jornais ou dão o clique no computador, torna cada momento em que posso falar e escrever sobre a cidade como um presente compartilhado, o que me remete às palavras de Valter Hugo Mãe, escritor sensação da edição 2025 da Flip  - Festa Literária Internacional de Paraty: “porque um livro, com o que contém, pode ser uma fortuna eterna.” E falando em espaço de valorização da Literatura, vale notar que as editoras juizforanas e também as demais editoras que reúnem trabalhos dos escritores da cidade são profícuas, democráticas e vibrantes, motivando os autores, reunindo, produzindo e divulgando suas obras, eternizando tantos talentos, visões e estilos de escrita. E assim, tudo flui em uma dinâmica de qualidade e dedicação, de incentivo a todos leitores e escritores, novos ou veteranos.

Todos que por aqui passaram e os que, a cada dia, com sua dedicação e talentos, fazem a cidade dinâmica, efervescente, produtiva e com sua inexorável vocação para a diversidade cultural. Há luta, desafios, mas também amor envolvido na nobreza do progresso que busca ser equitativo e solidário. Cidade de portas abertas, com destaque para as oportunidades de estudo e de trabalho. É o lugar no mundo que centenas de milhares de pessoas escolheram para amar e viver, enquanto outros sonham a voltar ou a conhecer! Esse lugar de saberes, sabores, mas, acima de tudo, de amores! Me encanta...e, cada badalar dos sinos, a certeza de que aqui sempre será o meu lugar!

 

 

 

(…) o que me faz correr é sempre o mesmo, uma vontade de saber mais e o de deixar contado às pessoas, nos livros, sabe. Deixar nos livros aquilo que se descobre, porque um livro, com o que contém, pode ser uma fortuna eterna (…)

(Valter Hugo Mãe)

 

          Juiz de Fora é uma cidade cujas palavras para descrever não são tão fáceis de gerenciar por tamanha emoção que me enleva a alma por ser o meu lugar no mundo. Todavia, trago aqui um retrato, um panorama, dessa cidade, de ontem e hoje, habitada por 7 gerações em média, pois são 175 anos de sua fundação. Seus habitantes deram vida a um mosaico cultural, econômico e étnico, em que se mesclam tradições preservadas a uma atmosfera de cidade em sintonia com a contemporaneidade, estabelecendo um progresso com alto desenvolvimento humano que proporciona alegria e fascínio.

Sua origem se confunde com a origem de Minas, haja vista o Ciclo do Ouro e o Caminho Novo, este, rota econômica importante de ligação entre o nosso estado e o Rio de Janeiro. Cidade de vanguarda, com sua primeira usina hidrelétrica do país e com suas antigas tecelagens, dentre outras indústrias – daí, em função dessa paisagem, lembrar, urbanisticamente, a cidade inglesa de Manchester.

É uma cidade de encher os olhos: na arquitetura religiosa e no ecletismo urbanístico e arquitetônico de sua região central, com suas galerias em estilo francês, Cine Theatro Central, os calçadões, Parque Halfeld e a imponência dos prédios mais antigos e casinhas charmosas que contam histórias! Há também a arquitetura moderna, representada majestosamente pelo Museu de Arte Murilo Mendes, bem no Centro da cidade, configurando-se como um dos museus mais influentes do mundo e o mais influente no país (segundo o evento global Museum Week 2025). E a versatilidade arquitetônica não para por aí: temos a grandiosidade contemporânea de edificações com ares futuristas, tal como da Igreja Melquita, localizada no bairro Santa Helena.

Seus bairros contam histórias antigas e atuais! E a Avenida Rio Branco é a espinha dorsal que une a todos, de ponta a ponta! E somos todos, de acordo com o Censo 2022 do IBGE, 540.756 habitantes, trazendo o título de o quarto município mais populoso do nosso imenso estado de Minas Gerais. Aqui é um lugar de inspiração e de pessoas inspiradoras, berço de grandes escritores, jornalistas, cantores e personalidades voltadas à promoção da cultura, do teatro e da música. Conservatórios, faculdade de música, grupos de teatro locais que lotam os espaços e semanas dedicadas a mostras de cinema, de curta-metragens, de incentivo a novos talentos musicais e eventos inesquecíveis no Cine Theatro Central! Como membro, não poderia deixar de citar a Academia Juiz-forana de Letras, espaço de difusão de conhecimento e de criatividade literária: é uma honra fazer parte de um coletivo de pessoas que procuram mobilizar o cotidiano da cidade através  dos cursos, dos encontros literários e das publicações de obras de grande sensibilidade e diversas perspectivas que, além de retratar o mundo e as situações da vida, também se dedicam a retratar a cidade.

O desenvolvimento integrado às necessidades de sua população e da sua região é algo imanente ao seu crescimento econômico e urbano: somos um celeiro de difusão de conhecimento, desenvolvimento, inovação, diversidade, inclusão e cultura na região. Sendo assim, grandes figuras da educação, da administração pública, dos movimentos sociais, do ramo empresarial, do turismo de negócios, da moda, da gastronomia, do esporte, da área da saúde, da arquitetura, e voltadas à excelência em prestação de serviços e na produção de conhecimento fizeram, fazem e mantêm esta cidade tão vibrante, prazerosa e um bom lugar para se viver e se desenvolver em uma integralidade do potencial humano.

Toda oportunidade de escrever sobre a cidade e contar histórias, sobre o que li, ouvi e vivenciei em minha casa - Juiz de Fora, é como um inevitável abraço em quem se ama. E saber que minhas palavras ecoam, voam livre, enquanto as mãos folheiam as páginas das obras, jornais ou dão o clique no computador, torna cada momento em que posso falar e escrever sobre a cidade como um presente compartilhado, o que me remete às palavras de Valter Hugo Mãe, escritor sensação da edição 2025 da Flip  - Festa Literária Internacional de Paraty: “porque um livro, com o que contém, pode ser uma fortuna eterna.” E falando em espaço de valorização da Literatura, vale notar que as editoras juizforanas e também as demais editoras que reúnem trabalhos dos escritores da cidade são profícuas, democráticas e vibrantes, motivando os autores, reunindo, produzindo e divulgando suas obras, eternizando tantos talentos, visões e estilos de escrita. E assim, tudo flui em uma dinâmica de qualidade e dedicação, de incentivo a todos leitores e escritores, novos ou veteranos.

Todos que por aqui passaram e os que, a cada dia, com sua dedicação e talentos, fazem a cidade dinâmica, efervescente, produtiva e com sua inexorável vocação para a diversidade cultural. Há luta, desafios, mas também amor envolvido na nobreza do progresso que busca ser equitativo e solidário. Cidade de portas abertas, com destaque para as oportunidades de estudo e de trabalho. É o lugar no mundo que centenas de milhares de pessoas escolheram para amar e viver, enquanto outros sonham a voltar ou a conhecer! Esse lugar de saberes, sabores, mas, acima de tudo, de amores! Me encanta...e, cada badalar dos sinos, a certeza de que aqui sempre será o meu lugar!

 

 

 

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Casa De Nossa Senhora mãe de Jesus


Casa De Nossa Senhora mãe de Jesus

É um dos principais pontos turísticos da região. Conhecido como o local no qual ocorreram as aparições de Nossa Senhora, entre os anos de 1967 e 1968, o lugar possui uma réplica exata e única no mundo da casa onde Maria viveu e conserva a pedra deixada pela Virgem em uma de suas aparições.­­­­­­-­­­­­­­­­­­­­­­­

 

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Mame Jeváh em Juiz de Fora


 Nos anos 50, a Rua Marechal Deodoro era popularmente conhecida como a “Rua dos Tecidos”. Com suas inúmeras lojas e armarinhos, era o paraíso para quem buscava materiais para confecção de roupas e artesanatos. Madame Geváh, a pedido de Esmeralda, era figurinha carimbada em busca de bons cortes e aviamentos para as mais variadas encomendas e também para incrementar seu guarda roupa. Era um ritual, explorar os tesouros têxteis da cidade. Hoje, algumas dessas lojas históricas ainda resistem, mantendo viva a tradição da rua e preservando um pedaço da história de Juiz de Fora. É um lembrete nostálgico de uma época em que a arte da costura florescia e as ruas eram repletas de vida e criatividade.

A casa foi restaurada, cada pequeno detalhe carrega um encanto, um segredo. Cada ambiente conta um pouco da história de Geváh e do centro de Juiz de Fora.  Madame Geváh é mais que uma cafeteria que me mostrou que um só lugar pode ser muito mais, é também   um lugar que encanta! A Casa Madame Geváh é um bar,restaurante, café, antiquário, um rooftop de tirar o folego.

 

 

 

 

sábado, 11 de janeiro de 2025

Revista Clube Provérbio Editora : Machado de Assis : O Maioral VOL.1, Nº 2 / 2024




Manhã de Domingo

                                               Neuza Marsicano

Hoje acordei a aurora

Me vesti de Domingo

E fui rezar

O sol nascia

Me revestia de luz

O céu se iluminava

Com cores

Avermelhadas

A maravilha do amanhecer

Me inundava

A beleza

Invadia meu ser

Derramava alegria

No meu viver

                                  Neuza

 

domingo, 27 de outubro de 2024

Bairro São Mateus, meu lugar na Princesa de Minas: contando sobre seus cantos de encanto




                                      “O que me inspira é meu cotidiano.”

                                               Neuza de Oliveira Marsicano

            Caro leitor, permeado de metalinguagem, passo a narrar um pequeno desafio com que deparei, recentemente: tenho um amor na vida em forma de neto, Matheus, um garotinho esperto e companheiro (não por acaso, leva o nome do santo que também deu nome ao meu bairro, meu “pedaço” da Princesa de Minas, minha Juiz de Fora, que tanto exalto). Como a maioria das avós, gosto de tê-lo no meu cotidiano, e a recíproca é verdadeira: seja em casa, nos eventos escolares e em passeios por nossa cidade. Enfim, tenho a alegria de ele residir na mesma cidade que eu.

            Desafios de dar um bom exemplo para filhos, netos, sobrinhos, mesmo os mais nobres, nos assustam. Um pouco, porque não queremos decepcionar aqueles que fazem parte das nossas vidas, mas, também, porque sempre somos confrontados com outros olhares das gerações mais novas.

            E foi assim que, naquela chuvosa de quinta-feira, no fim da tarde, tomando café com a vovó Neuza, Matheus abre a mochila, com aquele olhar de que traria alguma provinha com boas notas ou algum desenho colorido bem vívido, como de costume, ou alguma história para contar. Em três segundos, retira um “desafio” para mim: uma folha com pesquisa escolar. Deveria fazer um passeio com algum familiar por alguns lugares da cidade que contam alguma história. Desafio aceito! No outro dia: tour marcado com Matheus!

            Manhã de sexta-feira: sol tímido, tempo fresco, cheiro de café coado e agasalho. Selecionei, mentalmente, os lugares que percorreríamos, naquela manhã, ali no bairro São Mateus: uma praça, uma escola, a Igreja de São Mateus e as galerias. Ele acha pouco. Afirmo que irá se surpreender! Também penso em passar a registrar o passeio em pequenas anotações, em tópicos. Repassar com ele ao chegar em casa, pois, ele deveria contar um pouco das histórias do local aos coleguinhas. Tenho uma intuição: “Por que não transformar esse momento em conto? Afinal, vale a pena que o máximo de pessoas saiba das riquezas, por vezes, “escondidas” do bairro.” Sim, leitor, eu converso com a minha intuição. Atire a primeira pedra quem nunca…

            Seguimos em frente, um sol gostoso, seguimos em direção à praça Jarbas de Lery Santos, onde, além do parque infantil (em que Matheus possa brincar) e aparelhos de ginástica, é realizada a Feira de Artesanato Permanente do São Mateus, aos sábados. Nela, é possível encontrar os melhores artesanatos da cidade, assim como produtos de pequenos produtores. Porém, a praça também fica movimentada com outros eventos de fim de semana, tais como festivais de cerveja artesanal. Sentamo-nos, um pouco; o menino é curioso, gosta de entender como tudo começou: explico que o bairro é um dos mais antigos de Juiz de Fora, um dos mais próximos do Centro e cheio de histórias para contar.

            Mãos dadas e a caminhada da praça até a Igreja de São Mateus. Mateus pergunta se já é domingo. Uma graça! Explico que acho que é uma das igrejas mais bonitas de nossa cidade, que podemos – e que é até muito bom – ir sempre que quisermos, não apenas aos domingos. Digo a ele para contar para os coleguinhas sobre a Festa Julina da Igreja de São Mateus, que acontece há décadas, sempre muito organizada e animada, com dois dias de festa, quadrilha de dança e pescaria. Matheus vibra mais uma vez.

            Ele se encantou com os vitrais iluminados pelos raios solares refletindo a imagem dos apóstolos. Explico que, talvez, ele já tenha reparado que, à noite, os vitrais recebem as luzes por holofotes. Diz que sim, mas me pergunta se são feitos de pedras preciosas. Respondo que são de vidro mesmo, mas que têm uma preciosidade na beleza e na magia da fé, da paz do espaço. Percorremos outros cantos da paróquia. Observando em volta da Igreja, entramos na moderna Capela de Oração Imaculada Conceição; já no adro oposto à Capela, paramos para o Matheus observar – e se encantar com – os peixinhos na Gruta Nossa Senhora de Lourdes, construída recentemente, idealizada pelo Padre Geraldo Dondici.  Meu neto me diz que já me viu em oração e acha que a vovó fica com o rostinho feliz. Eu falo que só agradeço por tantas coisas boas em minha vida, e que ele é uma dessas preciosidades. Ah! como o afeto nos renova!

            Continuando a caminhada, entramos na Vila Irineu José Afonso, em uma cafeteria, encontramos com Francisco Irineu Del’ Duca, proprietário do Atelier São Judas Tadeu, que fica na mesma vila. Foi, então, que conheci a história daquele lugar situado no centro do bairro, enquanto Matheus se diverte com os gatos que ali passeiam tranquilamente. Observo que a vila, hoje, preserva os traços desde o seu surgimento: casas baixinhas, calçada de pedras, cercada de plantas... uma sensação de estar em alguma vila de cidade praiana ou histórica, mas me lembrou muito da cidade de Colônia do Sacramento, no Uruguai. Matheus se encanta com a tranquilidade do lugar, mas permanece sentado, na grama, entretido com os pequenos felinos.

            É uma grata surpresa como, aos poucos, o lugar tornou-se um centro de cultura e de lazer em cada cantinho. No caso do ateliê de artes sacra, onde parei para conversar com Francisco, dentre outras histórias, ele me conta que aquele lugar foi um dos cenários do filme “Zuzu Angel”, uma tocante obra cinematográfica nacional que narra a história da estilista que dá nome ao filme e sua luta incansável para encontrar seu filho desaparecido, preso, injustamente, no período da ditadura militar no Brasil. Francisco descreve, com emoção, sobre a filmagem do drama biográfico em que Patrícia Pillar faz o papel de Zuzu. Ele mostra a foto da atriz, sentada em um cantinho, à mesa, no ateliê.

            Ainda na vila, em meio àquela arquitetura neocolonial charmosa e colorida, meu neto já anda sem mãos dadas comigo, sentindo liberdade, entrando nos locais, apontando tudo o que vê de diferente. Ele mostra até o que nunca havia reparado antes nas decorações do local, diz que irá dar nomes aos gatos brevemente, quando ali voltarmos. Fico feliz por ele querer voltar lá. Mais espaços, mais surpresas ali: ateliê com arte de papel que agrega sala de curso de francês, paisagismo, cafeteria artesanal, culinária inclusiva, dentre outros. Fico sabendo que haverá festa julina no local, o Arraial da Villa. Matheus se anima e, o que seria apenas uma atividade escolar interessante, se desdobra em um cronograma de futuros passeios com ele. Mas ele não deixa para depois tirar uma foto ao lado da parede onde está a pintura em vitral do Gato Lynus, um lindo registro também na história do meu neto.

            Não poderia deixar de destacar a livraria “Banca Vera”, muito bem montada com autores independentes, e que lembra as bancas de  livros nas ruas da já mencionada Colônia do Sacramento, no Uruguai. Paula, idealizadora da banca, explica, com entusiasmo, que o objetivo do espaço é movimentar os artistas locais para aquele espaço cultural. A própria vila já foi retratada em belíssimos quadros de artistas da cidade.

            De repente, ao sairmos da vila, chegando ao movimento do bairro, a sensação de voltar do túnel do tempo. Nesse retorno à parte movimentada do bairro, passamos na galeria cujo nome é sensacional: “Galeria Secreta”. Em seguida, parada para um sorvete, conforme prometido. Caminhamos pela rua São Mateus até à Escola Estadual Fernando Lobo. Conto ao meu neto que aquela escola é centenária, muito bonita e tem um ensino excelente. A beleza daquele prédio escolar é inspirada na arquitetura das casas alemãs. Juiz de Fora possui muito dessa influência, em virtude de seu processo de colonização. É bom que o bairro tenha esse traço em algumas edificações para nos lembrar de sua história.

            Ao atravessarmos a rua em frente à escola – a movimentada rua São Mateus – para seguirmos para casa, meu pequeno observou e aprendeu um pouco sobre a sinalização do guarda de trânsito. Educação para a vida acontece a todo o instante.

            Um passeio inesquecível para ele, para mim, e espero que, para todas as pessoas que possam vir a ter ou já têm o privilégio de conhecer esses cantinhos do meu bairro, que conto porque são cantos que encantam. E que haja mais cantinhos para desvendar, por toda a Juiz de Fora, nossa Princesa de Minas, infinitamente, assim como é infinita a criatividade do homem.

            No fim do tour, o que mais me surpreendeu ficou para os últimos minutos daquela manhã: a criança, com toda sua capacidade de observação e sensibilidade, com sua alma pura e inocência, me surpreende quando me disse que foi quase tudo muito divertido, interessante e inesquecível, mas que reparou algo que o deixou triste. Ele me contou que queria que as pessoas de uma família que ele viu dormindo na rua tivessem uma caminha gostosa como a dele. Respondi que há muita gente no bairro se movimentando para ajudar, e que devemos sempre participar das obras de caridade ao próximo, mas que ainda, infelizmente, as pessoas em situação de rua são muito invisíveis aos olhos da sociedade. Acredito que as novas gerações poderão agir melhor na sociedade e se sensibilizar mais com o sofrimento do próximo.

         “As crianças, mesmo dentro de sua   inocência, sabem observar as coisas e tenho certeza de que, em seus coraçõezinhos, tudo fica gravado para sempre.’”

                                         (Cléa Gervason Halfeld – trecho do livro Bate Coração –, 1999)

            E, assim, ficamos por aqui, meu prezado leitor: tenho certeza de que ele contou muito bem a história dos lugares e cantinhos em que estivemos naquela manhã. Da mesma forma, creio que ninguém aproveita mais um passeio, por mais que seja um dever de casa, e ninguém entende mais de gente, de humanidade, do que uma criança.